Separações nunca são simples. Elas mexem com rotina, com emoção, com estrutura financeira, com memória e principalmente com expectativas que foram construídas durante anos. O problema é quando a dor dos adultos começa a atravessar diretamente a vida emocional dos filhos. Porque criança percebe tudo. Mesmo quando ninguém fala claramente o que está acontecendo. Ela percebe mudança de comportamento, tensão dentro de casa, silêncios estranhos, afastamentos, ironias, discussões disfarçadas e principalmente quando começa a existir uma disputa emocional entre os pais. E talvez uma das coisas mais injustas numa separação seja exatamente isso: quando os filhos passam a carregar dores que não pertencem a eles. Existe uma diferença muito grande entre o fim de um relacionamento e a destruição emocional de uma família. Casais podem se separar. Isso faz parte da vida. O problema começa quando mágoa, orgulho e ressentimento transformam a criança em instrumento da disputa. Muitas vezes a alienação parental não aparece de forma escancarada. Ela aparece em comentários repetidos, pequenas manipulações emocionais, frases jogadas no meio da raiva, tentativas de afastamento e situações que colocam os filhos numa posição extremamente desconfortável. E o mais triste é que muitas vezes os adultos estão tão envolvidos nas próprias dores que deixam de perceber o impacto disso no desenvolvimento emocional das crianças. Filho não deveria crescer escolhendo lado. Filho não deveria sentir culpa. Filho não deveria viver tentando proteger emocionalmente um pai ou uma mãe. Porque enquanto os adultos tentam provar quem está certo, muitas crianças crescem emocionalmente inseguras, confusas e carregando marcas que vão acompanhar a vida inteira. Separação exige maturidade. Principalmente quando existem filhos no meio. Porque relacionamento pode acabar. Mas responsabilidade emocional continua existindo. Locução: Dina Rachid